Projeto da Poli para evitar perda de grãos é notícia na revista O Carreteiro

Um projeto desenvolvido pela Escola Politécnica da USP para evitar a perda de grãos no transporte foi destaque na edição de janeiro da revista O Carreteiro (edição 447).

Criado pelos engenheiros Stergios Pericles Tsiloufas, Cesar Monzu Freire, Renato Ramirez Viana Neves e Paulo Carlos Kaminski, da Poli-USP, e Sérgio de Paula Pellegrini, da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, o projeto cria um sistema de enlonamento e vedação da carreta.

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No transporte, a margem de perda não pode ser superior a 0,25%, caso contrário o produtor é ressarcido

Tsiloufas disse à repórter Elizabete Vasconcelos que o processo de enlonar e desenlonar dura menos de um minuto em carretas de nove metros. “O equipamento consiste em um trilho na lateral da carroceria, com arcos e um motor elétrico alimentado pela bateria do caminhão. Sua função é movimentar a polia (cabo de aço) que puxa os arcos, onde está colada a lona”, explica.

O engenheiro compara o sistema criado com o utilizado em cortinas persianas. “É como se fosse uma persiana, o cabo vai puxando a lona e encaixando perfeitamente, reduzindo o tempo de enlonamento e proporcionando um ganho logístico”, afirma. De acordo com os engenheiros, o projeto tem viabilidade comercial e eles estão procurando empresas para desenvolver a solução para o mercado.

A reportagem da revista destaca que mesmo sem números atualizados sobre o volume de grãos perdidos durante o transporte – o último levantamento do IBGE é de 2003 -, estima-se que entre 10% e 15% da produção agrícola se perde no processo de escoamento dos grãos. Considerando a safra 2010/2011, na qual o País produziu mais de 162 milhões de toneladas, este percentual representa mais de 24 milhões de toneladas, um montante suficiente para carregar uma frota de carretas graneleiras. Cabe lembrar que esta perda pode ser ainda maior, porque parte da produção se perde na área produtiva, dizem especialistas.

A revista O Carreteiro relata que esta quantidade de perda de grãos não é consenso. Para o diretor presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, as perdas no transporte são de no máximo 0,25%. “Não ultrapassam cinco milhões de toneladas”, diz. Ele destaca que os custos de transporte e do próprio grão estão com valores elevados e por isso há um controle rigoroso. “O caminhão é pesado quando carrega e descarrega. Se houver alteração no peso superior à margem de 0,25%, a transportadora ou o carreteiro têm de ressarcir as empresas donas dos grãos. Portanto, ninguém quer perder”, argumenta.

A reportagem informa que várias transportadores estão buscando alternativas para evitar a perda dos grãos. Na Transpanorama, por exemplo, os graneleiros são vedados com espuma.

Os laboratórios dos fabricantes de implementos rodoviários também trabalham para criar produtos que atendam as expectativas dos empresários de transporte. A Guerra SA. conta com dois módulos de caixa de carga para graneleiros. Uma em madeira e outra composta por uma fibra de vidro com maior durabilidade. “Em ambas trabalhamos para uma vedação total”, afirma Fabio Paludo, diretor industrial da companhia. Segundo ele, nos dois modelos são aplicadas borrachas – parecidas com as de portas de automóveis – que garantem a vedação do equipamento. Porém, ele destaca que por se tratar de uma vedação de borracha, com o uso o sistema vai sofrendo desgaste. “Por isso, o transportador tem de cuidar, fazer manutenção”, aconselha.

A revista destaca que a Randon também desenvolveu um sistema de vedação no painel lateral de sua linha de graneleiros que promete ser à prova de perda, de acordo com Cesar Pissetti, diretor de tecnologia e exportação da companhia. Segundo ele, antes a empresa utilizava um compensado naval, mas com o tempo o componente sofria muito desgaste. “Hoje, utilizamos três materiais: chapa de madeira reciclável, chapa de aço galvanizado, e um painel plástico, que são mais resistentes à umidade e impactos”, afirma. Além disso, a empresa adotou sistema de vedação que utiliza uma borracha flexível e que não resseca com facilidade.

Já a Rodolinea lançou recentemente um sistema de vedação exclusivo para carretas graneleiras. Segundo a empresa, o equipamento – chamado de Vedagrão – fecha completamente as tampas, com perda zero de carga, podendo ser usado também no transporte de diversos produtos a granel. Além disso, segundo a fabricante, o sistema possui uma vida útil acima de cinco anos e não aumenta o custo de aquisição para o transportador.

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