Poli de Baja – Tricampeã na 31ª Competição Baja SAE Brasil – Etapa Nacional (Março 2026)
A equipe da Escola Politécnica, Poli de Baja, conquistou, em 2026, seu terceiro título de campeã na Competição Baja SAE Brasil e protagonizou um dos desempenhos mais expressivos da edição, ao acumular quatro primeiros lugares entre as principais categorias da competição, além da vitória geral.
Veja as premiações:
1° Geral
1° lugar no Suspension
1° lugar no Super Prime
1° lugar no Desafio Técnico
3° lugar em Velocidade
1° lugar Apresentação de Negócios
2° lugar Apresentação de Gestão
Atualmente, a equipe Poli de Baja é formada por cerca de 40 alunos de diferentes cursos de engenharia (como Mecânica, Elétrica, Mecatrônica, Naval, Civil, Minas, Produção, entre outros), além de contar com o apoio de ex-integrantes e a colaboração de estudantes de outras unidades da USP. Ao longo do ano que antecede a competição, a equipe desenvolve projetos, relatórios e elabora estratégias para atender aos desafios propostos pela SAE Brasil, elaborados anualmente pelo Comitê Técnico (formado por membros escolhido pela Gerência da Associação), e que evoluem em complexidade a cada edição.
A competição é composta por provas estáticas e dinâmicas. Entre elas, estão inspeções técnicas, avaliações de motor, conforto e freios, além de apresentações de projeto. As provas dinâmicas analisam aspectos como dirigibilidade, aceleração, velocidade, capacidade de tração e desempenho da suspensão. O ponto alto é o Enduro de Resistência, com cerca de quatro horas de duração, realizado em terreno acidentado.

A edição nacional de 2026 contou com 62 equipes inscritas, de instituições de ensino superior de todo o país, envolvendo mais de 1.200 estudantes. Neste ano, o desafio técnico propôs às equipes a aplicação da metodologia de Desenvolvimento Integrado de Produto (DIP) na concepção do protótipo da temporada seguinte. A atividade concentrou-se nas etapas iniciais do desenvolvimento, incluindo a identificação de stakeholders, o levantamento de necessidades, a definição das funções do veículo e o desdobramento em requisitos técnicos mensuráveis, em nível geral e de sistemas, em linha com práticas adotadas na indústria.
Segundo Victor Zouein, aluno do 3º ano do curso de Engenharia Mecânica e atual capitão da equipe Poli de Baja, “dentre as dificuldades desta competição, tivemos a quebra de uma manga de eixo, que é uma peça vital e poderia ter nos eliminado. Conseguimos reverter a situação rapidamente, mas exigiu muito trabalho de equipe”.

Rumo à competição internacional
Como parte da premiação, as três equipes melhor classificadas na etapa nacional têm a oportunidade de participar das competições organizadas pela SAE International nos Estados Unidos, previstas para 2027.
“O nosso objetivo agora é aprimorar ainda mais o projeto, corrigindo, acrescentando ou ajustando o que for necessário para obter o melhor desempenho. Sabemos que o desafio será ainda maior”, afirma o capitão Victor Zouein.

A consolidação de um projeto
O projeto Baja no Brasil surgiu a partir da articulação de professores de diferentes instituições, entre eles Ronaldo de Breyne Salvagni (Poli-USP), Álvaro da Costa Neto (EESC-USP), José Ângelo Rodrigues Gregolin (UFSCar), José Tomaz Vieira Pereira (Unicamp), Ricardo Bock (FEI) e Sérgio Moriguchi (Instituto Mauá de Tecnologia). A iniciativa foi da SAE Brasil, que levou docentes brasileiros aos Estados Unidos para conhecer o modelo da competição, criada na década de 1970 pela SAE International.
Desde 2001, alunos de graduação da Escola Politécnica da USP participam da competição. A experiência tem permitido a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos em sala de aula, aliada ao desenvolvimento de competências em gestão, organização e trabalho em equipe, já que os próprios estudantes são responsáveis por todas as etapas do projeto, incluindo captação de recursos e construção do veículo.
Atualmente, a equipe Poli de Baja é orientada pelo Prof. Dr. Marcelo Alves, coordenador do Centro de Engenharia Automotiva (CEA) da Poli-USP. “É uma atividade extraclasse que desafia os alunos técnica e organizacionalmente, exigindo dedicação ao longo de todo o ano. Essa vivência fortalece o vínculo com a engenharia e tem impacto duradouro na formação profissional”, destaca.
Segundo o professor, há forte interesse do mercado por alunos com experiência no Programa Baja, tanto pelo domínio técnico quanto pelas competências desenvolvidas em trabalho em equipe e gestão. Entre os ex-integrantes, destacam-se profissionais com atuação no Brasil e no exterior, como Felipe Marchesin, atualmente na Mercedes AMG High Performance Powertrains, no Reino Unido, e o Prof. Dr. Ronnie Rego, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), no Centro de Competência em Manufatura (CCM), na área de Tecnologias de Engrenagens.
Desde a criação do projeto na Poli-USP, a equipe conquistou três títulos nacionais ( 2009, 2012 e 2026) e cinco títulos mundiais. Abaixo, principais resultados das equipes da Escola Politécnica ao longo dos anos:

Sobre o Projeto Baja SAE
O Projeto Baja SAE foi criado nos Estados Unidos, na Universidade da Carolina do Sul, sob a coordenação do Dr. John F. Stevens, com a realização da primeira competição em 1976. No Brasil, o programa foi lançado pela SAE Brasil em 1994, com a primeira competição nacional realizada em 1995, na cidade de São Paulo.
Ao longo dos anos, o evento foi realizado em diferentes locais, inicialmente no Autódromo de Interlagos e, posteriormente, o Esporte Clube Piracicabano de Automobilismo (ECPA), em Piracicaba (SP). A competição mais recente ocorreu na Faculdade de Tecnologia de São José dos Campos (Fatec). Além da etapa nacional, a SAE Brasil também promove competições regionais desde 1997, como forma de preparação das equipes. Em 2026 contaram com equipes do Sudeste, Nordeste, Sul, Norte e Centro-Oeste do Brasil. A Etapa Sudeste, da qual a Poli-USP participa, reuniu 30 equipes.

O que é um Baja?
Os veículos Baja são protótipos off-road, monopostos, com estrutura tubular em aço, projetados para enfrentar terrenos irregulares. Equipados com motor padrão de 10 HP, devem acomodar um piloto de até 1,90 m de altura e até 113,4 kg. Durante a competição, os veículos passam por avaliações estáticas e dinâmicas, incluindo provas de desempenho e o enduro de resistência em condições adversas.
Mais informações no compêndio do torneio. Acesse aqui.

