Conforto dos assentos automotivos: diferencial competitivo

Trabalho desenvolvido por aluno de mestrado profissional da POLI/USP busca equacionar um desafio hoje colocado para as montadoras: atender as expectativas de consumidores em relação ao conforto, com custos reduzidosAo longo dos anos a engenharia de desenvolvimento de assentos automotivos vem trabalhando para atender requisitos relativos a segurança e posicionamento dos ocupantes no veículo, estabelecidos por meio dispositivos legais e normas técnicas. Contudo, mais recentemente, diante de novas condições do mercado como consumidores cada vez mais exigentes e a crescente competitividade entre as empresas do setor automotivo brasileiro, outras características passaram a ser avaliadas e destacadas.

É esse o escopo do trabalho de conclusão do curso de Mestrado Profissional em Engenharia Automotiva, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), do engenheiro André Lima, cujo resultado demonstra que é possível fazer do conforto um diferencial competitivo. “A atenção foi direcionada para a ergonomia proporcionada pelos assentos, especialmente após certo período de exposição. O desenvolvimento de assentos automotivos focado no conforto pode tornar-se um diferencial de produto. No entanto, os projetos desenvolvidos nos últimos anos adaptaram-se rapidamente ao contexto automobilístico nacional: redução de custos. Por isso, projetar assentos confortáveis e de baixo custo passou a ser um grande desafio”, explica Lima.

Tomando por base a importância e a compreensão dos principais conceitos relacionados a variáveis como a opinião e a antropometria (registro das particularidades físicas) dos condutores e as vibrações a que eles estão sujeitos, segundo ele, foi possível direcionar o desenvolvimento de assentos confortáveis e de baixo custo, avaliando antecipadamente o impacto de certas decisões de projeto sobre o conforto de novos produtos.

O estudo dessas variáveis permitiu ao engenheiro elaborar algumas recomendações relacionadas ao desenvolvimento de assentos automotivos ergonômicos, dentre as quais: a definição das particularidades físicas que deverão ser atendidas foco do estudo, levantamento da opinião do público-alvo e análise das propriedades dos componentes dos assentos visando reduzir vibrações. “A análise das variáveis destacadas propiciou apresentar potenciais oportunidades de melhorias de conforto, relacionadas ao desenvolvimento de assentos automotivos”, completa André Lima.

Conforme apresentado neste seu trabalho, as intervenções ergonômicas podem ser realizadas durante a fase de desenvolvimento de conceito, validação de projeto e melhorias de produtos correntes. E, especialmente durante o desenvolvimento de produto, destaca Lima, é possível prever e corrigir aspectos técnicos que levam a sintomas álgicos (dores causadas por problemas de postura), próprios da posição sentada, tanto do condutor ao volante como dos passageiros e interferências entre condutor e certos componentes do veículo como, por exemplo, o volante. “As intervenções e projetos precisam ser realizados com foco na opinião e antropometria dos condutores e também nas vibrações a que são submetidos quando em condução. As preferências pessoais devem receber atenção especial durante a fase de desenvolvimento, pois mudam com o tempo e individualmente.”

Nesse sentido, cuidados quanto à definições de parâmetros de controle, procedimento e registro de informações, devem ser tomados durante avaliações de conforto de assentos automotivos, visando ampliar sua confiabilidade. Como pode constatar André Lima neste estudo, diversos fatores devem ser controlados e analisados, de modo a que sejam encontradas correlações e entendidos certos resultados.

“É importante destacar que o conforto de assentos pode ser influenciado por variáveis não analisadas neste trabalho, como por exemplo: conforto térmico dos condutores durante a condução. No entanto, o conhecimento introdutório das variáveis propostas pode auxiliar no desenvolvimento de assentos confortáveis e na prevenção de falhas. As variáveis consideradas durante o presente trabalho foram: opinião dos condutores, antropometria dos condutores e vibrações sobre os condutores”, enfatiza o autor do trabalho.

Em termos das vibrações que o corpo humano é submetido durante a condução, Lima destaca que podem levar a inconvenientes importantes. “Especial atenção deve ser dada às diferentes faixas de freqüência dos órgãos internos correlacionadas com os modos de vibração da carroçaria do veiculo e dos assentos. Este tema necessita de forte embasamento e conhecimento técnico para ser desenvolvido e aplicado adequadamente no desenvolvimento de assentos. O objetivo foi apresentar apenas os principais conceitos e riscos.”

Entre as principais conclusões deste estudo que desenvolveu o engenheiro destaca algumas recomendações que podem auxiliar no desenvolvimento de produto de assentos automotivos confortáveis:

. Vibrações indesejáveis podem ser eliminadas ou reduzidas através do estudo dos componentes – estrutura, espuma, suspensões e capas;

. Os percentis e quantidade de avaliadores, a serem adotados durante os estudos subjetivos de conforto, precisam estar bem definidos;

. A opinião do grupo antropométrico foco deve ser priorizada;

. A concentração da distribuição de pressão sobre as almofadas pode ser estudada e correlacionada com parâmetros ligados à forma e características da espumas, estruturas e suspensões;

. O nível de conforto pode ser ampliado através do levantamento de medidas antropométricas, estudo do espaço entre habitáculo x modelo antropométrico virtual e análise de interferências e movimentos;

. Os recursos de filmagem e fotografia podem ser de grande auxílio durante a análise posterior dos resultados de avaliações subjetivas;

. Os engenheiros de produto necessitam realizar treinamentos relacionados aos
conceitos interdisciplinares da ergonomia;

. Os questionários relacionados a avaliações subjetivas de conforto devem ser formulados com base em estudos e por pessoas qualificadas;

. Intervenções ergonômicas podem ser aplicadas com base no detalhamento do mercado-alvo, metas ergonômicas a serem atingidas e tipo de veículo.